Corrupção


Ex-secretário geral do Governo do Uíge continua a ser julgado

2020-01-10 07:07:00

Imagem de destaque

Partilhar isto:

O ex-secretário-geral do Governo Provincial do Uíge, Leonardo Bongo, e o ex-director do Gabinete do Governador, Jaime Hiamba, acusados de crimes de peculato, associação criminosa e falsificação de documentos, começaram a ser julgados terça-feira no Tribunal Provincial do Uíge.

Leonardo Bongo terá aberto a porta do governo provincial a uma empresa, propriedade do declarante no processo Inocêncio de Assunção Muata, a qual devia transferir o montante de 26.358.184 kwanzas para a prestação de serviços ao governo, facto que não aconteceu e o dinheiro foi usado para benefício próprio.

O réu induziu igualmente o governador provincial a assinar uma ordem de saque no valor de 23 milhões de kwanzas sem que o governante soubesse que o réu tinha a intenção de comprar uma viatura de luxo no valor de 14 milhões de kwanzas.

Leonardo Kiala Bongo exerceu o cargo de secretário do Governo Provincial do Uíge de Junho de 2018 a 5 de Fevereiro de 2019, altura em que foi acusado pelo Ministério Público pelos crimes de peculato, associação criminosa e falsificação de documentos.

O ex-director do Gabinete do Governador, Jaime Hiamba, acusado dos crimes de peculato e falsificação de documentos, também terá facilitado contratos entre o governo local e uma empresa de prestação de serviços sem que esta estivesse cadastrada para o efeito.

Para a conta da empresa em causa, o réu transferiu um total de 10.775.493 kwanzas, destinado a prestar serviços ao governo provincial sem que a empresa tivesse prestado serviço ao governo. O réu foi igualmente efectuando depósitos e transferências nas contas bancárias das duas empresas sem que as mesmas prestassem algum serviço ao governo provincial.

O Ministério Público acusa os dois réus de extraírem várias vezes dos cofres do governo dinheiro que era canalizado para as contas de duas empresas em benefício próprio, sobretudo para a compra de viaturas e mobiliário.

Os réus terão causado ao governo da província prejuízos avaliados em 16.264.651 kwanzas. Os advogados dos réus consideram todas as acusações do Ministério Público infundadas por não apresentarem provas suficientes e defendem a nulidade do processo.

O julgamento prossegue com os réus em liberdade sob Termo de Identidade e Residência.