Opinião


Mutação rara: Bajús do tempo do Zé Du, afinal são todos revús

2020-01-31 16:53:00

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O embaixador itinerante, António Luvualo de Carvalho saiu a tempos da tempestade. O Oxigénio, como era tratado, ainda teve a ‘clemência’ de Lourenço e foi atirado para os fins do país mais corrupto de África, Guiné Equatorial.

Por: Osvaldo de Nascimento

Este embaixador, que teve um lugar ‘inédito’ no que a política diz respeito, visto que foi o único que ocupou a pasta de itinerante, de a sua fundação até a extinção, defendeu a família dos Santos com dedos e unhas…até deu os braços.. “graças ao ar que respirávamos”, sabiamente inventado pelo ex-presiente, de acordo com o embaixador, vivemos até agora.

António Luvualo de Carvalho tinha, até, pasmem-se, mais autoridade que o ex-ministro das Relações Exteriores, Jorges Chicote. Era a jóia rada da cidade alta.

Viajava com voos privados, claro, era embaixador itinerante, e tinha competências de sair do país com malas e mais malas, sem que fosse inspeccionada.
Os milhões de dólares que saíram de Angola, de forma fraudulenta, boa parte foi levada por embaixadores e homens fortes da Casa de Segurança do antigo chefe de Estado. E não precisamos ser do Serviço de Investigação Criminal para saber. Os milhares de passaportes diplomáticos, com entrada e saída ‘a lagarde’, serviram para sabotar o dinheiro de todos.

Não se conhece uma montanha de riqueza do Luvualo, mas, como Gildo Matias, procuravam no cerco da família dos Santos, alguma coisa, ainda que pelo sacrifício de todos, alguma coisa para dar aos seus. O que é normal, tirando o lambebotismo industrial, com que apresentavam as suas defesas caninas em plena Televisão Pública de Angola.

Um caso que não deve ser esquecido, é do líder da igreja Nosso Senhor Jesus Cristo no Mundo “Simão Toco”.

Dom Afonso Nunes, arrisco em afirmar que, foi dos que mais beneficiou do roubo de José Eduardo dos Santos. Aliás, o MPLA todo ganhou com os votos que este senhor ofereceu, de forma obrigatória ( dos seus fieis) ao MPLA.

Diz-se em boca pequena nos corredores de Luanda, que o magnifico templo desta igreja, ‘juntamente’ com a universidade que está adjacente ao templo, foi oferta do ‘saudoso’ MPLA.

Várias vezes, lembrem-se, o próprio pároco tentava juntar a oposição ao ex-ditador. Numa última tentativa de limpar a imagem de JES, no Miramar, numa conferência de imprensa atípica, para além da aberração de afirmar que “José Eduardo dos Santos era um Presidente enviado por Deus”, o encarnado de Simão Toco tentava fazer crer que perdoar a roubalheira de José Eduardo dos Santos e, orar pela imagem de JES, seria o caminho viável para todos angolanos.
Norberto Garcia. Boa lábia, bom comunicador, bom defensor dos ideias dos camaradas, bons ou não.

Antes de chegar a Porta-voz do “maioritário”, Garcia foi secretário para Politica Económica Eleitoral e Social, e depois secretário do Departamento de Informação e Propaganda, ao nível do Comité Provincial de Luanda.

Todos viram o jorrar do moet Chandon. Era como esfregar na cara do povo, como eles, os bajús, mandavam em tudo e todos. Sopa de Moet Chandon…
Nos debates da Televisão Pública de Angola, ninguém falava melhor, ninguém expressava melhor que o Garcia.

Porém, nos dias de hoje, muitos bajús já viraram a casaca e estão a defender completamente o contrário do que defendiam antigamente.
Numa mutação rara, os revús estão a ser condecorados no Palácio da Cidade Alta, e os lambe-botas encarcerados.

Em entrevista a DW África, Adão Ramos, ativista e politólogo angolano diz que na era da governação do ex-Presidente José Eduardo dos Santos, o país estava dividido em dois grupos: “Aqueles que defendiam tudo e mais alguma coisa de forma exaustiva e os outros que pensavam diferente, que manifestavam opinião contrária e eram vistos como pessoas que estavam a ser instrumentalizados por agentes externos”.