Assalto


Delinquência em alta coloca Viana em "recolher obrigatório"

2020-02-05 09:47:00

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Numa altura que a Polícia apresenta números animadores quanto a criminalidade em Luanda, e dizem não haver motivos para alarme, munícipes de Viana clamam pelo socorro das autoridades denunciando que o clima de insegurança ainda prevalece e que, nos dias que correm, ainda há zonas onde o recolher obrigatório é uma realidade.
Destas zonas, segundo apurou o Na Mira do Crime, estão os Kms 9, 12 e 14, bem como, a Encutal, rua dos Plásticos e da Suave, antes da Comarca de Luanda, onde os ‘amigos do alheio’ comandam o game e a Polícia não é tida nem achada.

Por: Matias Miguel

A título de exemplo, quatro meliantes encapuzados, não identificados, assaltaram na madrugada de sábado, 31, a cantina de um cidadão de nacionalidade burkinabe.
O burquinabe apenas identificado por Mussa, de 29 anos de idade, apercebeu-se do assalto minutos antes dos meliantes arrombarem a cantina pelo alarme da vizinhaça.
“Eles estavam a partir ainda o gradeamento quando fui alertado que a cantina estava a ser assaltada e como não poderia fazer nada, já que eles estavam armados, limitei-me aguardar que o dia clareasse”, explicou.

Feito o balanço, acrescentou, teve um prejuízo avaliado em kz 480.000.00 (quatrocentos e oitenta mil kwanzas), entre o roubo de valores monetário e bens diversos “como televisor plasma, descodificador e bens alimentares. Encontrei algumas caixas vazias expalhadas na rua de trás e presumimos terem sido usadas para arrumar e transportar as coisas furtadas”, sustentou, para depois dizer que em função da quantidade de produtos surripiados há fortes possibilidades dos ‘amigos do alheio’ terem feito várias viagens a transportar.

Visivelmente abalado e com o semblante carregado de tristeza, Mussa, diz que as coisas não lhe têm corrido de feição nos últimos tempos, tendo sido vítima de assaltos ultimamente. “O mais recente, antes deste de hoje, foi no dia 15 de Dezembro do ano passado e agora, novamente este mês”, lamentou, apelando a uma maior intervenção da Polícia.

Km 9, 12 e 14 lideram assaltos em Viana

Se o município de Viana ainda é uma zona melindrosa, no que a criminalidade diz respeito, os territórios do Km 9, 12 e 14 são os mais críticos. Por isso mesmo, os munícipes solicitam mais patrulhamento e um combate cerrado aos ‘amigos do alheio’ que persistem em tirar o sono dos pacatos cidadãos.

Durante uma reportagem do Portal Na Mira do Crime, o Comandante Rock Silva, da Divisão de Viana, teria reconhecido mesmo que houve uma evolução drástica da delinquência nestas zonas.

“Na Encutal há áreas que o recolher obrigatório vigora a partir das 19h00, na rua dos Plásticos, da Suave e na rua antes da Comarca de Luanda são áreas onde é proibido circular”, contou um morador que não vê com bons olhos a presença massiva de agentes da ordem pública apinhados a beira das estradas, como se fossem reguladores de trânsito, enquanto os bairros ficam à mercê dos bandidos.

“Não percebemos este tipo de estratégias da Polícia Nacional. É nos bairros onde as pessoas vivem e é ali onde ocorrem os crimes, como lutas de gangues, assaltos, roubos e furtos à residências. Mas os agentes preferem mandar parar carros e motorizadas dos kupapatas na estrada do que vigiarem os bairros”, denunciou.

De recordar que durante uma rixa de gangues, na semana passada, um jovem foi atingido, mortalmente, com arma branca. Desta rixa, as culpas são apontadas ao grupo de marginais “Tropa Wowo” liderado por um adolescente apenas identificado por ‘Adigona’, de apenas 16 anos. Entretanto, sabe-se que o outro grupo ameaçou retaliação, cujas consequências, caso a Polícia não intervenha, pode ser maior, pois em muitos casos, durante a retaliação, cidadãos inocentes acabam por sofrer também as represálias.

O Na Mira do Crime, diagnosticou os sectores adjacentes a Vila Nova C, Encutal, Zona Verde Sector C e A.
Nestas zonas, os populares afirmam que as noites têm sido difíceis com o medo de não poderes acordar. “Os meliantes brincam aos tiros, os daqui com os da Zona Verde ao olhar impávido da Polícia que tem um Posto Policial aqui próximo, quem nos acode ás vezes são os guardas prisionais que rondam num perímetro de 200 metros, porque também têm o muro das cercanias no chão”.

Com vista a terem dias melhores, solicitam a Polícia a fazer alguma coisa, “para não falar dos coitados dos motoqueiros que são assaltados todos os santos dias, a qualquer hora e em todas as esquinas”, confidenciaram os moradores agastados com a situação do bairro.