Opinião


A “competência” comunicacional da ministra Lutucuta

2020-03-28 13:23:00

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É na adversidade que se notam as virtudes e a competência dos titulares de cargos públicos.

Depois de já termos publicado, nestas mesmas páginas, a “incompetência” comunicacional da ministra Sílvia Lutucuta, hoje por hoje, voltamos a escrever sobre esta senhora na vertente positiva. Aliás, os nossos governantes também sabem fazer coisas boas e muitas vezes precisam apenas de espaço e motivo.

E tal como fazemos agora, com Angola a registar até ao momento, apenas quatro casos positivos do novo coronavírus – Covid-19 – as notas positivas a nossa Ministra da Saúde Sílvia Lutucuta, vêm de todos os quadrantes da vida nacional.

É importante chamar a razão aos titulares de cargos públicos, que ao exercerem determinados cargos, não estão a fazer favor a ninguém. Aliás, devem obediência, respeito e prestação de contas a quem os elegeu.

E neste momento de incertezas, medo e recolher “obrigatório” com a decretação, pelo Presidente da República, do Estado de Emergência algo que para muitos se verifica apenas quando a situação está fora do controlo das autoridades, a Ministra Sílvia Lutucuta tem transmitido a calma necessária e a esperança aos angolanos em dias melhores e que, não obstante os casos positivos registados em Angola, o Executivo tudo está a fazer para que esta pandemia que assola o mundo - com a Itália a somar o maior número de mortes - não atinja o País com a crueldade que está atingir a Europa.

Calma, serena e convicta, pois sabe do que fala, aliás, é médica de profissão, com uma didática de se lhe tirar o chapéu e com o seu sorriso característico, responde a inquietação dos angolanos, representados pelos jornalistas, com segurança e passa a mensagem de tranquilidade que se pretende ao meio ao caos que o mundo vive.

Devemos convir que não é fácil estar numa situação destas, de dirigir um pelouro que enfrenta uma situação calamitosa e que, a qualquer momento, pode descambar para o descalabro.

Basta recuarmos um pouco no tempo e lembrarmo-nos das mais recentes situações que assolaram o País e que deveriam merecer a mesma atenção, senão mesmo maior, como foi o caso das cheias em Benguela, febre amarela e na seca do sul, mesmo com contornos que estes cenários atingiram os dirigentes daquela altura – qual deles o mais insensível - ninguém se dignou a solicitar que se decretasse o Estado de Emergência ou solicitar ajuda externa.

Ainda bem que estamos a tentar corrigir o que estava mal e a tentar melhorar o que já estava bem, dizemos tentar porque não é fácil nos dias que correm com a economia a derrapar a pique com uma pandemia que começou na China e que agora é global.

Sílvia Lutucuta, ali está, saber escolher as senhoras que dirigem os nossos departamentos ministeriais, tem sabido dar conta do recado e comunicar em tempos de crise, que se sabe, é bastante difícil e é preciso ter peito.

A sua calma de médica, habituada a situações extremas em que muitas vezes, tem a vida de um ou de mais pacientes nas suas mãos, dá-lhe esta serenidade de comunicar como faz agora sem rodeios e as mentiras habituais dos nossos governantes.

Apoio incondicional

Nas redes sociais o apoio a Ministra da Saúde são vários. Sizaltina Cutaia, por exemplo, que lidera a organização Open Society, disse na sua página: “Senhora Ministra da Saúde, estamos a ver e estamos a hostar ‘muitomente’!”, numa clara alusão que o trabalho que está a ser desempenhado por esta senhora está a ser acompanhado ao detalhe pelos angolanos, com maior realce para as mulheres e jovens.

Esmeralda Chyaka Direito, jornalista e analista, por seu turno, é também uma das pessoas que elogiou o trabalho de Sílvia Lutucuta, tendo demonstrado isso mesmo com um post na sua página do Facebook a dizer o seguinte: “a Sra ministra da saúde é a pessoa certa a dirigir o ministério certo, independentemente da situação que se vive”, garantiu descrevendo mais adiante a serenidade, tranquilidade e segurança com que lida com os dados que transmite a população aflita por informação credível e não as fake news que volta e meia saem do espaço virtual e invadem as casas dos angolanos com dados atabalhoados e, muitas vezes, adulterados que podem levar ao pânico e caos social.

Diniz Kapapelo, outro jornalista, garante na sua página que o trabalho que a ministra Sílvia Lutucuta está a fazer já valeria, caso fosse na Polícia ou nas Forças Armadas, mais uma estrela.

Quarentena institucional é uma realidade

E não é para menos. Pois, depois de ter apelado à sensibilidade do sector hoteleiro para a cedência de espaços onde possam ser feitas as quarentenas institucionais, a Ministra da Saúde ganhou novos aliados para a luta contra a Covid-19, numa altura que a quarentena domiciliar nunca tinha sido aventada pelo simples facto da quarentena institucional ser a mais recomendável, mas que, infelizmente teve de ser adoptada na sequência de constrangimentos verificados com a rede de hotéis inicialmente contactada para acolher os passageiros.

Embora ainda seja cedo para bater palmas, sendo que o número de cidadãos em quarentena pelo País continua a crescer, estando actualmente numa cifra superior a 500, o número de casos positivos a qualquer momento também poderá subir, fruto da entrada, depois de termos fechado as nossas fronteiras com países onde a contaminação comunitária é bastante alta como é o caso de Portugal – sempre eles – a actualização regular da situação no País dá alguma ideia de que as coisas estão, de facto, controladas. Sendo que, quando se tem uma informação ampla da situação, melhor se pode lutar contra as falsas notícias e o pânico.

Neste sentido, espera-se que os apoios cheguem quanto antes para se ter no País, os ventiladores suficientes para quando a situação agudizar e, com certeza, teremos a nossa Ministra serena a lutar na linha da frente como uma verdadeira guerreira. Pena é que alguns colegas da ministra, mesmo tendo cargos de responsabilidade, não estão a colaborar e são os primeiros a violar os procedimentos de prevenção que se exige ao pacato cidadão. É importante que o exemplo venha de cima, para que os cidadãos sigam sem hesitação e contestação.