Corrupção


Imprensa sob cativeiro de Álvaro Sobrinho: Jornalista demitido por criticar um dos empresários acusado de delapidar “sem piedade” o dinheiro do povo angolano

2020-05-08 07:01:00

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Não é a primeira vez que o Na Mira do Crime denuncia falcatruas do antigo homem forte do Banco Espirito Santo (BESA), o Luso angolano Álvaro Sobrinho, apontado por Adalberto Costa Júnior, líder do maior partido na oposição, como um dos maiores saqueadores do erário.

Por: Osvaldo de Nascimento

Há pouco mais de uma semana, o jornalista Isidro Kangandjo, do jornal “A República” escreveu um texto na sua página do facebook, questionando a aproximação do jornalista Rafael Marques, uma das figuras que mais expos a delapidação da família dos Santos e companhia a Álvaro Sobrinho, testa de ferro de muitas figuras próximas de JES e que deixaram o país mostrando ‘as vergonhas’.

No texto do jornalista publicado no dia 26 de Abril, Isidro diz ter visto Álvaro Sobrinho e Rafael Marques a entrar no edifício do CIF-LUANDA, pelas 14:41 do dia 24 de Abril do ano em curso, às pressas.

“Eram apenas os dois e mais o segurança pessoal do empresário. O que presenciei me criou curiosidade e, logo, dei um “OI” ao Rafael Marques, olhou para mim e nem respondeu. Até 15: 35, eles não haviam saído do edifício, essa foi a hora e minutos que eu me retirei do local porque havia concluído uma outra investigação onde está envolvido Ministro João Ernesto dos Santos Liberdades e outros”, escreveu.

Contactado pelo Na Mira do Crime, o jornalista explicou que depois de ter escrito o texto na sua conta do facebook, “relacionado com o encontro inesperado entre Álvaro Sobrinho e o jornalista Rafael Marques”, no dia seguinte, ele e outros colegas foram chamados a redacção do jornal “A República”.

“Durante o encontro, o director do Jornal, Martinho Fortes, falou-me sobre o texto que publiquei alegando que quem lhe reencaminhou o texto foi o Madaleno, Irmão de Álvaro Sobrinho. Durante a conversa”, conta, “procurou razões para que eu não fizesse parte do quadro do Jornal. As desculpas apresentadas são que o texto não era meu, alguém terá enviado para mim no sentido de extorquir dinheiro ao empresário”, lamentou.

 “Até aqui estou a exigir para que o Álvaro Sobrinho venha falar quem lhe tentou extorquir, com quanto e quando. Pedi para que o mesmo pudesse juntar todas pessoas que suspeita, mas nega fazer isso. O que acontece é que o Martinho Fortes recebeu bafos do senhor Álvaro Sobrinho por existir acordos entre os dois, e, como recompensa, me sacrificou”, sentenciou.

Aproximação de Álvaro e Marques

O antigo presidente do BES Angola, Álvaro de Oliveira Madaleno Sobrinho, esteve presente, em Luanda, em Janeiro do ano em curso, no lançamento do UFOLO – Centro de Estudos para a Boa Governação, uma ONG, liderada pelo activista e jornalista de investigação, Rafael Marques.

A presença de Alvaro Sobrinho no colóquio “Juventude em Acção”, que ficou marcado com o lançamento do Centro de Estudos para a Boa Governação, ficou entendida em sectores da sociedade civil, como sendo a aproximação de Sobrinho a organizações que no passado eram críticos ao executivo liderado pelo ex-presidente da República, José Eduardo dos Santos.

Considerado um dos banqueiros mais rico da lusofonia, Álvaro sobrinho, é citado em meios do regime, como sendo o responsável pela atribuição de um Escritório para as instalações da nova ONG de Rafael Marques no Edifícios da ESCOM (Espírito Santo Commerce), em Luanda.

Relações próximas a João Lourenço

 O líder da UNITA num passado próximo, acusou o Presidente da República, João Lourenço, de "proteger os grandes ladrões do país” e deu como exemplo primeiro o caso Álvaro de Oliveira Madaleno Sobrinho" e a presença do primeiro na inauguração do campo de golfe dos Mangais, em Lunda, propriedade do segundo.

Adalberto da Costa Júnior fez também referência a mais de mil milhões de dólares de fundos desviados do erário em Angola para paraísos fiscais com ao Maurícias e as ilhas Seychelles, sendo que 70% a 80% eram pertença de "Sobrinho, diretor do BESA".

Álvaro Sobrinho interrogado sete horas por unidade anti-corrupção nas ilhas Maurícias

Álvaro Sobrinho foi interrogado sobre os investimentos nas ilhas Maurícias, nomeadamente sobre o caso que levou, em Março de 2018, à demissão da presidente do país.

 De acordo com a Sábado, o antigo líder do BES Angola foi levado para interrogatório depois de alguns responsáveis da Comissão Independente contra a Corrupção (CIC) daquele país, acompanhados por elementos da Unidade Especial de Apoio, se terem dirigido ao complexo residencial de luxo Royal Park, onde o empresário estava instalado. Além disso, o seu gabinete terá sido também revistado na sua presença.

De acordo com o jornal L’Express, Álvaro Sobrinho respondeu a perguntas relacionadas com o caso “Cartão de Platina”, que levou, em Março de 2018, à demissão da presidente do país, Ameenah Gurib-Fakim. De acordo com o que foi noticiado na altura pelo L’Express, Ameenah Gurib-Fakim fez mais de 20 mil euros em despesas pessoais utilizando um cartão de crédito atribuído pela Planet Earth Institute, uma organização financiada por Álvaro Sobrinho que diz ter como objetivo a promoção da ciência em África.

No entanto, não há qui nenhuma santidade nesta figura. Contra o empresário pesam acusações de que 745 milhões de dólares do falido BESA, foram parar às mãos de Álvaro Sobrinho, presidente daquele banco até 2012.

Documentos obtidos pela “Daily Spiegel”, que foram partilhados com o consórcio de jornalistas de investigação (EIC), de que o Expresso faz parte, ajudam a explicar como eles expõem os métodos que Álvaro Sobrinho delineou para alegadamente desviar dinheiro do BESA, incluindo 277 milhões de depósitos de dinheiro vivo numa só conta.

Recorde-se que, em 2014, o Expresso revelou um “buraco” de 5,7 mil milhões de dólares no BESA, que haveria de ser uma das razões essenciais para a queda do “Grupo Espírito Santo” e do banco que controlava, o BES.

Em Portugal, o homem da “família Madaleno”, detém na sua carteira de participações quase 30% da SAD do Sporting.