Assalto


Comunidade do Lar Arnaldo Janssen exige que a Polícia entregue o corpo do jovem morto na quarta-feira

2020-06-23 08:25:00

Imagem de destaque

Partilhar isto:

Os jovens da comunidade “Casa dos Rapazes” que viram o seu amigo e companheiro, João de Assunção Eliseu, de 20 anos de idade, perder a vida, na quarta-feira, 17, depois que supostos efectivos da Polícia Nacional obrigaram que fizesse várias flexões, seguido de um disparo no ar, junto ao malogrado, hipertenso, exigem que a corporação explique em que morgue está o corpo do malogrado.

Contactados pelo Na Mira do Crime na tarde de ontem, segunda-feira, 22, os jovens dizem que estão sem saber o que fazer, uma vez que o óbito vai no seu sexto dia, e nem sequer sabem em que estado de conservação o corpo se encontra.

Segundo Alberto Ferraz (Pito Pito), a Polícia Nacional (PN) alega que o caso está devidamente encaminhado, e vão resolver “mais será que leva quanto tempo? Já lá vão cinco dias e nada… trouxeram apenas um saco de arroz, um saco de fubá de milho, uma caixa de coxas e sardinha em lata para fazermos o óbito. Isso não é nada, conseguimos isso com trabalho, queremos é um caixão, um buraco e o corpo do nosso irmão para enterrarmos com dignidade”, pediram.

“O comandante do Distrito do Kilamba Kiaxi, veio aqui e só deixou o cartão-de-visita e foi embora”, disseram.

A comunidade desconhece a morgue onde está o corpo de João, uma vez que, ressaltam, lhes foi apenas dito por agentes que esperam o resultado da autópsia.

 “Temos que esperar pela autópsia, até o nosso responsável também não está a conseguir explicar onde está o nosso irmão, por isso estamos revoltados”. De acordo com informações, no último fim-de-semana, os jovens da comunidade colocaram pneus na estrada que sai da Universidade Católica (Palanca) e vai até a Shoprite, interditando a via, tendo havido intervenção das forças da ordem, que resultou na detenção de quatro jovens, nomeadamente; Laton, Augusto, Portuga e Papô.

O Caso

O caso teve lugar na manhã de quarta-feira, 17, por volta das 09 horas, quando João de Assunção Eliseu, de 20 anos de idade, membro da comunidade Arnaldo Janssen, desde os 9 anos de idade, saía de casa para ir ao seu local de trabalho, e foi interpelado por dois agentes da Polícia Nacional de Angola (PNA), que solicitaram a sua máscara facial. Este, de acordo com um seu companheiro de quarto, disse aos polícias que tinha esquecido em casa, e que estando próximo, regressaria para usar.

 “Os Polícias disseram não, faz de braços e Agachamentos, ele fez, mas já estava bem cansado, e como sofre de hipertensão, informou aos agentes que estava muito cansado, mais eles não queriam saber”, denunciou o seu companheiro, adicionando que os vizinhos ainda alertaram que ele era doente, “mas o polícia disse se levantares vou fazer um tiro, e fez mesmo junto à cabeça dele, quando tentou levantar, e com o susto caiu inanimado”, explicou.

Polícia silenciosa

O Na Mira do Crime, via telefone, contactou, na manhã de ontem, segunda-feira, 22, o porta-voz do Comando Provincial de Luanda, Nestor Goubel, que pediu alguns minutos para se pronunciar, mas, até o dia de hoje, terça-feira, 23, não voltou a atender nenhuma chamada, nem responder as mensagens.