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Ndalatando: Cidadãos estão a refugiar-se nas lavras para evitar o contágio da Covid-19

2020-06-29 09:21:00

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Desde o anúncio dos primeiros casos da doença na província, muitas famílias da cidade de Ndalatando, no Kwanza Norte, decidiram refugiar-se em lavras, como uma das medidas encontradas para manter o isolamento social e evitar o contágio da Covid-19.

Por: Manuel Mateus/Kwanza Norte

Nos últimos dias, a antiga Vila Salazar passou a estar ainda mais calma fruto da pouco movimentação de cidadãos.

O mesmo cenário assiste-se, também, em vários bairros daquela região, onde grande parte das famílias camponesas, entendeu intensificar os trabalhos nos campos de cultivo.

"Pai, com essa doença que veio, ficar em casa a passar o dia, dormir-acordar e sem fazer nada, não estou aguentar", atirou Clementina Adão, abordada pela nossa equipa de reportagem quando saía de casa em direcção paragem de táxi.

A nossa interlocutora que ia em uma das suas lavras na Zona das Kirimas, conjuntamente com dois dos seus filhos, adiantou que ficaria duas semanas, a aproveitar limpar a mandioqueira e preparar farinha para acudir a situação alimentar de sua família.

"Nessa fase estamos a passar mal com fome no bairro".

Para além da actual situação social que está a gravar-se, decorrente da escassez de produtos alimentares, Teresa Bengui disse que ia a lavra, para pelo menos 4 dias, para evitar ter  contactos com outras pessoas, pois, sustenta, é uma das recomendações que diariamente tem sido passada pelas autoridades sanitárias.

"Na lavra dificilmente vai aparecer uma amiga ou vizinha para me cumprimentar ou conversamos. Cada uma está na sua lavra", referiu.

As nossas entrevistadas disseram que têm criadas as condições mínimas para acomodação, nas suas respectivas lavras.

"Nas lavras já temos cabanas para dormir e, lá, nós temos comida, água tiramos das Cacimba", revelaram.

Depois de ter comprado alguns produtos alimentares, no mercado municipal do Catome de Cima, junto a paragem de táxi, Manuel Francisco disse a nossa reportagem que, nos últimos dias tem havido especulação dos preços para o transporte de passageiros, até mesmo nos autocarros do Estado.

"Na linha da Kirima, o táxi estava 100 kwanzas, hoje está a 300, 400 Kzs. Há dias que pagamos 500.00, ida e volta 1000 kzs. E o dinheiro está difícil", destacou.

O nosso entrevistado adiantou ainda que, tal como as outras entrevistadas, vai à lavra com a esposa e filhos, para isolar-se dos demais. “Sou professor e, nesse período, as aulas estão paralisadas e não sei se vai mesmo ou não recomeçar... Preferimos ir à lavoura trabalhar, não só como maneira evitar a doença mas, para não perdermos o tempo sem se fazer nada no bairro", considerou.

Cuanza-Norte soma e segue com novos casos da Covid-19

Os quatro novos casos positivos da Covid-19 no Cuanza-Norte, anunciados sexta-feira pelo secretário de Estado da Saúde, Franco Mufinda, são todos angolanos do sexo masculino, com idades compreendidas entre 39 e 52 anos e residentes nos bairros Boavista, Hoji-ya-Henda, Catome de Cima e de Baixo, revelou a directora do Gabinete Provincial da Saúde.

Filomena Wilson disse que os doentes estão clinicamente estáveis e sob controlo das autoridades sanitárias. “Os pacientes estão a ser acompanhados nos centros de tratamento. Estamos a trabalhar para os acomodar melhor e, principalmente, a investigar o risco epidemiológico dos contactos destes bairros”, disse.

Nesta altura, referiu, já foi feita a colheita de 1.841 amostras, enviadas para testes no laboratório do Instituto Nacional de Investigação em Saúde, em Luanda. Filomena Wilson acrescentou que 61 cidadãos estão em quarentena institucional e 1.600 famílias foram cadastradas nos bairros sob cerca sanitária, designadamente, Sambizanga, Posse e rua dos Índios.

A directora do Gabinete Provincial da Saúde explicou que depois de uma avaliação social feita no bairro Kipata, onde foi diagnosticado um caso positivo da Covid-19, não há necessidade de ser colocada uma cerca sanitária. “Primeiro, há necessidade de se trabalhar com a população para se evitar males maiores”, disse.