Opinião


Tavares pode renascer das cinzas

2020-07-18 05:12:00

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O general que enfrentou grandes batalhas na era JES pode ser chave para desvendar malabarices na era do JLO.

Algumas vozes são contra as benfeitorias de José Tavares, um general que, embora discreto, em 2013, enquanto presidente da Comissão Administrativa de Luanda, travou a ordem de demolição das casas no bairro Margoso, Prenda, algures na Maianga, ordenada pelo antigo Governador da Província de Luanda, Bento Bento, e já augurava uma Luanda descongestionada.

Este braço-de-ferro entre Tavares e Bento, este último tido, na altura, como o ‘movimentador de massas do MPLA, chamou atenção aos mais cépticos, uma vez que todo mundo seguia as ordens dos superiores, mesmo estando em sentido contrário à lei e o general nunca esperou e, quando se tratava de dar razão a quem o tinha, ele não dava volta.

José Tavares, em várias ocasiões, defendeu sempre os injustiçados e desprotegidos, como quando suspendeu o desalojamento de moradores de bairros de Luanda por não terem sido reunidas as condições adequedas para tal.

Depois desta demonstração de força, ou se quisermos, de amor aos governados, Tavares começou a ser combatido por alguns segmentos do seu partido e não só por também ter revolucionado a cidade de Luanda em 2014, tendo defendido a preservação, reabilitação e a valorização da capital do país, num criterioso "encontro" entre o passado, presente e o futuro, quando discursava na gala realizada no Jardim da Cidade Alta, alusiva ao 438.º aniversário da cidade de Luanda assinalado no mesmo dia onde o gestor fazia referencia que o seu governo abraçou um desafio e com visão procede à reforma territorial e administrativa urbana, desenvolvendo todo um conjunto de programas, com vista a resolução do problema da zona metropolitana e já apontava a necessidade de se descongestionar a cidade, garantindo uma melhor qualidade de vida, de modo que o seu crescimento fosse em direcção ao sul, com a construção já concretizada de novas centralidades para um futuro melhor para os angolanos.

Num triste episódio assistimos, no passado dia 11 de Julho do ano em curso, a uma notícia com título "general do regime em acto de abuso de poder", acusando-o de destabilizar normas de convivência com os vizinhos segundo a qual terá havido abuso de poder por parte do general.

Passados vários dias e feita uma investigação pelo jornal O Crime, constatou-se que o General Tavares é morador daquele condomínio há mais de cinco anos, comprou a sua residência conforme atesta numa declaração passada pela Sonip e que pagou o valor na totalidade sem ficar a dever nada a ninguém. Já a morar há vários anos na residência, solicitou autorização de fazer obras de melhorias na administração do condomínio.

Segundo alguns moradores, o general está a fazer o que todos os moradores fizeram nas suas residências, para além de querer também alterar a parte frontal que só alguns privilegiados fizeram. Presumivelmente terá havido um mal-entendido entre as partes, situação que levou a obras de melhorias da residência do general ser embargada, tendo assim enviado os seus representantes para administração saberem do assunto e estes, por sua vez, foram à Administração de Talatona em vez de irem à Administração do Condomínio: mal interpretação.

Contactámos a Administração de Talatona, a nossa fonte disse que “nós não sabíamos de nada até aparecerem pessoas acusando-nos de termos embargado obra de um morador no condómino Golden, mesmo tendo sido autorizado pela Administração do Condomínio, rapidamente apercebemos que naquele condomínio estavam a fazer obra sem a nossa autorização, foi assim que prontamente informamos a nossa fiscalização e dinâmicos que são foram para lá, porque era ainda antes das 18h30 e, por estarem em prevenção, avançaram para o local com intuito de encontrarmos os falsos fiscais que têm trabalhado mesmo depois de terem sido devolvido ao Comando Provincial de Luanda ou obras em curso sem licença.

No local encontrámos várias obras sem licenças e autorizações, então multamos todos, aprendemos materiais de todos e aí ficamos a saber que a residência que nos levou lá era, afinal, do general Tavares e também multamos o mesmo por não ter solicitado autorização nem ter uma licença".

Mais lá no fundo conseguimos perceber que oportunistas políticos que também residem no mesmo condomínio e outros não se aproveitaram da situação para, mais uma vez, sem verificação prévia, manchar, sujar e prejudicar a imagem do general.

Para um direito de resposta, contactámos o general Tavares, não nos atendeu e pessoas ligadas ao mesmo não quiseram se pronunciar por falta de autorização.