Corrupção


"Infiltrados" no SIC, PGR, PNA e a Administração Municipal lideram quadrilha que “despacham” terrenos de Viana

2020-07-21 07:38:00

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O administrador municipal de Viana, Fernando Eduardo Manuel, com uma equipa multissectorial envolvendo agentes do Serviço de Investigação Criminal (SIC) Polícia Nacional e homens da fiscalização rumaram, nas primeiras horas de sábado, 18, ao interior de Viana, Distrito do Zango e Bairro Boa Esperança, com a missão de desmantelar grupos de invasores de terras, que, dizem as mesmas autoridades, estão nos mesmos órgãos que tentam a todo custo desarticular estes grupos.

Por: Redacção

No primeiro contacto, no Distrito do Zango, conversamos com António Paciência, de 70 anos de idade, Magistrado Público, proprietário de um espaço de 1 hectar, com direito de superfície, que diz ter adquirido de um grupo de camponesas, para fins agrícola, muito antes da existência do Gabinete de Desenvolvimento Hidráulico do Kikuxi (Gadak).

 “Desde 2018 o terreno é invadido por um grupo de criminosos bem organizados, conhecido por Pangeiros, e não são detidos”, disse.

Teresa Nobre Januário construiu a sua residência no Distrito do Zango 3, Bairro Boa Esperança. Em entrevista ao Na Mira do Crime, explicou que comprou o terreno (40/15), em 2016, a uma senhora de nome Maria Maior, ao preço de 600 mil kwanzas.

Teresa diz possuir documentos que provam ter autorização de construção, passados pela Administração Municipal, durante a administração de Zéca Moreno, mas encontra obstáculos da fiscalização, que parte as paredes sem justa causa, quando tenta desenvolver o seu projecto.

Porém, tal como Teresa Nobre, estão outros moradores que acusam a fiscalização de Viana de demolir paredes sem justificação.

Mendonça Jeremias Bravo e Sabino Manuel da Silva, possuem 3 e 6 hectares de terras com direito de superfície, passados pela Gadak, em 1999, mas foram retirados das suas terras em 2013, com agressões físicas e ameaças de morte, pelo famoso grupo "Pangeiros".

“Depois das invasões e agressões ainda voltamos no mesmo local com a fiscalização e a polícia por três vezes, e demoliram-se os casebres”, mas, lembra, dias depois voltaram e montaram tudo outra vez.

Joana Manuel António e Francisca Fortes, proprietárias de 10 e 8 hectares no Zango 4 desde o ano de 2000, ‘foram invadidas em 2018´.

“Os invasores são os mesmos, muitas vezes foram detidos, mas volta e meio são soltos, é o caso dos senhores que se intitulam fiscais, conhecidos por Meireles, Catarina Manuel, Mimi, Sebas e o Sinistro”, acusaram.

Mais de 600 casos repousam na mesa do chefe da fiscalização de Viana

Paulo Vaz, director da Fiscalização de Viana, em entrevista ao Na Mira do Crime, fez saber que mais de 600 casos de litígios fundiários repousam sobre a sua mesa.

“Os problemas são frequentes e recorrentes, herdados das antigas administrações, estão tão enraizados que envolvem fiscais, militares, agentes do SIC, PGR Polícia enfim… grupos de criminosos bem organizados”.

O responsável disse ainda que, estes grupos são violentos. “Agridem fisicamente os proprietários de terras, os fiscais, por exemplo, temos o caso de um jovem fiscal, agredido com um bloco na cabeça há menos de 8 dias”, ilustrou.

“Eles enganam pessoas distraídas que, na ânsia de ter casa própria, são burlados por estes grupos que comercializam os espaços como se o terreno fosse deles, porque apresentam documentos falsos”, alertou.

Crime organizado

O administrador adjunto para área técnica e infra-estruturas do município de Viana, Barnabé Raimundo, disse que esta prática já configura no leque dos crimes organizados, uma vez que, tem tentáculos nos órgãos de justiça.

 “Estes criminosos conseguem influenciar outras entidades para que os invasores não sejam responsabilizados criminalmente, há neste negócio pessoas de vários níveis sociais, porque há muito dinheiro em jogo”, ressaltou, acrescentando que, os envolvidos pertencem a varias instituições, tais como a própria Administração Municipal, Distrital o SIC, Polícia Nacional e a PGR”.