Corrupção


Libaneses lideram máfia do trigo em Angola

2019-11-17 09:03:00

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A máfia do trigo é conhecida e está localizada, falta alguém do Estado usar alguma autoridade e fazer acontecer. Há um elemento do Mpla mergulhado neste jogo, e nem é preciso ser efectivo do FBI para saber o nome.

O presidente do Sudão do Sul, recordem-se, caiu quando tentou subir o preço do pão.
Por cá, em Angola, à máfia do trigo é libanesa e sobejamente conhecida pelas autoridades. Aliás, a grande empresa libanesa que vende o produto a grosso está espalhada nos 4 cantos do país. À máfia está zangada e ferida porque, o actual executivo tem combatido o nepotismo, o peculato o clientelismo o suborno e a extorsão em benefício de grupo ou classes

Estas práticas que enriquece e já enriqueceu muita gente lesa, principalmente, o pacato cidadão que ‘só quer um pedaço de pão na mesa, chá e manteiga’.

A máfia trabalha como grupo de bloqueio que trava as boas políticas que o actual governo quer implementar. Eles estão em posse de milhares de dólares dos angolanos, têm poder, são donos de grandes empresas e facilmente colocam o governo em ‘standby’.

A máfia está no trigo, na segurança interna e externa. A máfia, que é endinheirada, e que vem do governo de José Eduardo dos Santos está zangada por causa da cessação dos negócios públicos-privados, onde, vezes sem conta, o Estado pagava aos caprichos dos políticos que trabalhavam com o dinheiro de todos para benefícios privados.

Os marimbondos ou salalés, que no final das contas são todos farinha do mesmo saco, estão directamente ligados a este grupo de bloqueio que faz do povo sapato usado, povo que, por mais que passa fome, dá, mesmo sem querer, chances aos líderes eleitos, democraticamente ou não.
O pão que era 10 kwanzas subiu para 70, o povo não se levantou, o arroz, que era no tempo do homem mais-forte de Angola e que governou todos como quis e apeteceu, subiu de 2500 para 14 mil kwanzas…o povo miou, mas não se levantou.

Em vozes dispersas, este povo que parece calado vai dando luzes a quem governa de como pode mudar o quadro. Basta usar autoridade para colocar os mafiosos nos seus devidos lugares.

Esquemas de políticos do Mpla com empresários libaneses tomam conta da compra de farinha de trigo em Luanda. Para conseguir a principal matéria-prima usada na produção de pão, os gerentes de padaria têm de dar ‘gasosa’ à mafiosos que sobem e descem o produto quando lhes dá na gana.

Regista-se neste momento uma inflação no preço do pão, fruto da dificuldade na compra e subida do preço da farinha de trigo. São poucos os armazéns e lojas que ainda comercializam a principal matéria- prima para a feitura do pão e, todos os dias, tem sido uma luta para comprar tal produto.

Durante uma ronda feita pelo Na Mira do Crime, constatamos que muitos gerentes e donos de padarias e/ou pastelaria levam dias e até semanas para conseguirem um carregamento de 20 sacos de farinha de trigo, por exemplo, que poderá garantir dois dias de produção ao seu estabelecimento.

“Quem consegue o trigo são os que não têm padaria”, disse um entrevistado, por isso, acrescenta, diz estar com a “corda no pescoço”, não sabendo como vai pagar aos trabalhadores e a que preço vai vender o pão. “O trigo está que nem diamante”.
Trigo comprado sem ter chegado ao país

“São os ‘mamadous’ e os libaneses que fazem o negócio com os gerentes dos armazéns e não nos deixam comprar trigo, depois revendem a preços exorbitantes”, disseTani Dário, que enfrenta inúmeras dificuldades para manter de pé a sua pequena pastelaria.
“Pão nosso de cada dia” em queda

Em cada município e bairro da cidade capital vê-se pelo menos uma padaria que foi à falência e/ou que esteja a caminhar para esta fase. As que aguentam vêm-se obrigadas a praticar preços altos.

Os principais produtores do ‘pão nosso de cada dia’ estão a fechar as portas e a desempregar gente,
o Governo angolano "está a ser enganado", sobretudo pelos "grandes operadores, que beneficiam de milhões e milhões" para importar a matéria-prima.

A maior parte das panificadoras que operam em Luanda estão com dificuldades em produzir os pães devido à escassez da farinha de trigo. Os grossistas sediados na capital do país não têm o produto.